27/06/2015

"A Pedra fundamental é Jesus, e eles, São Pedro e São Paulo, os pilares da Igreja que tem como fundamento o amor que gera santidade."


Como festa solene, a Igreja lembra dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, considerados os pilares da Igreja, tanto por sua fé como pelo ardor de anunciar o evangelho de Cristo.

De antemão quero expor que este artigo não se trata de um relato histórico ou de uma biografia da vida dos dois apóstolos, e sim, retratar a importância de participarmos desta solenidade com espírito missionário, capaz de anunciar e deixar ser conduzido pelo mesmo sentimento que ambos vivenciaram após o encontro com Jesus cristo.

Além de santos também mártires, seguindo a risca e sem medo as palavras de Jesus (Mateus 16, 24) Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Os dois se puseram inteiramente a disposição não temendo nem mesmo a morte que muito possivelmente aconteceu em anos distintos, mas em épocas similares, e por motivos iguais; atrapalhar a missão lhes confiada, fato este que enriquece mais a fé da Igreja, também revelada em tantos homens e mulheres que não negaram Jesus enquanto estavam verdadeiramente convertidos ao santo evangelho.

Pedro com nome Simão foi dos dois, o apostolo que esteve diretamente com o Mestre, foi ouvinte presente de Jesus, presenciou a morte e conseqüentemente viu Jesus ressuscitado. Como todo humano precisou ouvir e ser educado por Jesus. Lembramos aqui do capítulo 16 do evangelho de Mateus, que nos ajuda a melhor entender a dimensão da ação meramente humana se fortalecendo por intermédio do “deixar se envolver por Cristo”, como fez o apóstolo. Ele mesmo caminhando com o Mestre, convivia com um coração de pedra, sem realmente entender a missão de Jesus; que teria que sofrer muito nas mãos dos homens e ser morto e ressuscitar, Pedro o interrompe com palavras anunciando que isso não deveria acontecer. Quando agimos assim, vamos de contra mão ao projeto de Deus, como diz Jesus (Mateus 16, 23) Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para trás de mim, satanás! Tu estás sendo para mim uma pedra de tropeço, pois não tens em mente as coisas de Deus, e sim, as dos homens!” Claro que Jesus conhece o coração de todo nós assim como conhecia o do apóstolo e nos ensina como aderir a esse projeto (Mateus 16,24 ) Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” Pedro aprendeu direitinho os ensinamentos, tanto que após ouvir de Pedro a sua profissão de fé, anunciando a verdade, ao ser interrogado por Jesus, (Mateus 16,15-16) “E vós”, retomou Jesus, “quem dizeis que eu sou?” - Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. E ele escuta do próprio Mestre outra verdade (Mateus 16, 17-19 ) Jesus então declarou: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do Inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”

Diante dessa afirmação lembramos aqui da figura daquele que representa a pedra - o Santo Padre o papa - que professa com fervor e ardor a verdade anunciada por Jesus, seguindo o primado do apostolo Pedro, conduzindo por intermédio do espírito santo, a Igreja de Cristo, que muitas vezes como um barco em auto mar, em meio a ventanias, se vê levado de um lado para o outro, mas nunca a deixará naufragar. É ele quem nos ajuda a nos manter firmes na caminhada rumo a terras firmes e seguras.

Tendo Paulo nascido alguns anos pós a presença de Jesus entre os demais apóstolos, ele não foi testemunha presente de Cristo, porém obteve a graça de ter presenciado Jesus em aparições especialmente a ele.

Paulo, de nome Saulo era um perseguidor da Igreja, enquanto ainda somente na ação dos cristãos que se união para partilhar a transformação advinda de sua conversão, aceitando viver se espelhando e anunciando o jeito de ser de Jesus, quem os ensinou a viver a partilha entre irmãos. Para Saulo (judeu), portador também de um coração de pedra era inconcebível e inaceitável tal atitude, que para o mesmo era uma seita que ameaçava o principio de fé da lei judaica, assim, via ser necessário exterminar tais pessoas a fio de espada.

Sua conversão, a caminho pra Damasco para perseguir os cristãos, o transformou em um novo homem, pois viu se envolto por uma forte luz vinda do céu e lhe apareceu Jesus ressuscitado que voz fala, segundo o apóstolo (At 9, 1-7). Todos nós somos da confiança de Deus no tocante a missão de fazer com que o Seu projeto de amor, paz e justiça se estenda entre os homens, porém é necessária uma constante conversão pessoal, e nós cristão temos o ingrediente principal – Jesus Cristo - que está sempre presente como luz, e ainda nos fala por intermédio de Sua Palavra. Após a conversão ele se identifica com o ressuscitado e afirma sua nova convicção, (FL 1,21) “Pra mim, viver é Cristo.” (Gl 2,20) ”Já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.”

Por sua dedicação foi considerado “O apóstolo”, anunciando o cristianismo aos gentios em diversas partes fora do território de Israel depois de uma aparição de Jesus no templo em Jerusalém onde recebeu a ordem para partir dali e pregar também para os não judeus (At 22, 17-21). Criou e posteriormente escreveu cartas as comunidades-igreja ao longo de sua jornada, testemunhando a paixão, norte e ressurreição de Jesus, e a ação do Espírito Santo dá continuidade a este mistério que se sintetiza no amor.

Certo de que o exemplo é para ser seguido, em seus discursos e documentos o Papa Francisco nos convida a intensificar nosso “ser Igreja”, para uma conversão pastoral e pessoal, para irmos ao encontro do outro, já não podemos esperar que os necessitados venham até a Igreja, mas nós precisamos levar a Igreja a eles, e assim, sermos também testemunhas da ação do mesmo Espírito que envolveu Paulo.

Diante destes dois personagens que viveram profundamente a mensagem do Mestre a Igreja se apóia na firme certeza de ser a presença visível deste mesmo Espírito que envolveu os apóstolos, e nos apresenta o mistério da doação plena através da eucaristia, corpo e sangue de Jesus, conduzindo a cada um de nós, como discípulos, pelo batismo, a fazer o que Jesus pede: (Mc 16,16) “Ide pelo mundo e inteiro e anunciai a Boa nova a toda criatura!”.

São Pedro e São Paulo rogai por nós!

Ionê Alves Barbosa e Vanusia Soares de Andrade

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* Ionê Alves Barbosa, cursou Filosofia pela Escola Diaconal São Lourenço em Palmas-TO, é casado com Vanusia Soares de Andrade e candidato ao diaconado permanente na Diocese de Miracema do Tocantins

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