03/11/2015

 

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo de Campos (RJ)

 

Existe, dizia Charles Peguy, uma só tristeza: a de não ser santo. Na solenidade de Todos os Santos a Igreja nos lembra da vocação universal à santidade homenageando todos aqueles que sofreram com Cristo e com Ele são glorificados. Nesta festa se incluem todos e todas que embora não figurem no Catálogo Oficial dos Santos, pertencem e estão inseridos plenamente na feliz família da comunhão dos santos.

Nesta liturgia a alegria transborda por ver realizadas por inteiro tantas vidas que se doaram sem medida, seguindo com fidelidade a Jesus Cristo nosso irmão compassivo e Salvador. Com eles aprendemos que o caminho das bem-aventuranças não é um roteiro idealista mas um autêntico programa de vida que nos santifica e nos liberta.

Esta festa desencadeia como falava São João Paulo II uma verdadeira pedagogia da santidade revelando as aspirações do nosso coração e o fascínio que sempre exercerão aqueles que buscaram sem reservas servir com amor a Deus e aos irmãos. Os santos nossos amigos e irmãos são nossos mestres e treinadores espirituais motivando-nos a dar o melhor de nós mesmos e a interpelar-nos como fez Santo Agostinho: se eles conseguiram porque também não posso chegar lá?

Para ser santo é necessário quebrar clichés e estereótipos simplórios, não só religiosos, bispos ou padres podem ser santos, senão todos aqueles de todas as idades, condições, etnias, nações e posições sociais, que optem radicalmente por Cristo e decidam segui-lo sem amarras ou compensações. Muitos santos viveram entre nos uma vida muito simples, em nada diferente a seu povo e a seus vizinhos, mas realizavam de modo extraordinário o ordinário e comum, colocando amor em tudo e tornando-se um irmão/ã universal, isto é, acolhendo, reconciliando e dando a vida por todos/as.

Assim como é verdade que uma alma santa eleva o mundo, que força não terá esta maravilhosa comunhão dos santos que nos envolve, nos estimula e nos desinstala? Eles oferecem o rosto da Esposa sem mancha, amorosa e fiel, transformando a Igreja em uma comunidade misericordiosa, cuidadora e promotora dos pobres e pequenos, samaritana e servidora. Que sejamos evangelizadores e missionários com o ardor dos santos, tomados e conduzidos por inteiro pelo. Espírito Santo. Deus seja louvado!

CNBB / 30 Outubro 2015

 

FONTE: http://www.cnbb.org.br/