09/05/2016

“A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária. Assim será possível que “o único programa do Evangelho continue introduzindo-se na história de cada comunidade eclesial”(Novo millenio ineunte, 12) com novo ardor missionário, fazendo com que a Igreja se manifeste como mãe que vai ao encontro, uma casa acolhedora, uma escola permanente de comunhão missionária.” (DA, 370)

A nossa Diocese se encontra num clima de festa... sobretudo no que se refere aos cinquenta anos de caminhada missionária, com as celebrações dos jubileus: cáritas (Campos Lindos), trabalhadores (Colinas), Cúria itinerante (Pedro Afonso), romaria regional (porta santa-catedral), etc.
E em resposta às urgências das DGAE (2011-2015), mais precisamente à urgência: Igreja em estado permanente de missão, o recém-criado Regional Norte III, realizou o 1º Congresso Missionário (18-19/10/2013) em Guaraí-TO, com o objetivo de colocar o Regional em missão permanente. Porém, antes da iniciativa do Regional, a nossa Diocese de Miracema, já tinha decidido realizar as Santas Missões Populares, sendo o momento de lançamento na 12ª Romaria Diocesana, Araguacema, com tema bem sugestivo: “Espiritualidade e Identidade do cristão”.
Formada a equipe volante no final de 2013, efetivamente, partimos para a implantação dos COMIPAS (Conselhos Missionários Paroquiais) em todas as paróquias e áreas missionárias da Diocese. Iniciamos as visitas em 08 de março de 2014 (Miranorte) e chegamos à última Paróquia no dia 23 de novembro de 2015 (Couto Magalhães); com a formação de 33 COMIPAS. Nestas idas e vindas, passamos por “maus bocados”; porém, superabundou a Graça divina, pela ação do Espírito Santo. Sendo confirmada no Retiro Diocesano-05, 06/12/2015. Eis a primeira fase: prevista inicialmente para ser concluída em 2014!
Chegou o tempo da segunda fase: retornos às paróquias e áreas missionárias, tendo como prioridade a permanência da equipe volante nas paróquias num período de uma semana, para conviver, celebrar, esclarecer as dúvidas e fazer acontecer o que deve ser realizado: setorização, para bem celebrarmos a terceira fase: auto evangelização e as grandes semanas missionárias (2017). Nesta fase, encontramo-nos. Iniciamos pela Região Pastoral São Mateus, a qual é composta por 6 paróquias e 1 área missionária. Estamos, agora, na penúltima paróquia (Nossa Senhora da Providência, Araguacema). Terminada estas visitas de retornos, em cada região, concluiremos com o retiro regional; com as lideranças atuais e sobretudo com as novas lideranças detectadas no processo do mapeamento/setorização. “A grande comunidade, praticamente impossibilitada de manter os vínculos humanos e sociais entre todos, pode ser setorizada em grupos menores. (...) A setorização é um meio. Não basta a demarcação de territórios, é preciso identificar quem vai pastorear, animar e coordenar as pequenas comunidades. Sem essa preparação, a simples setorização não renova a vida paroquial. Facilmente o grupo se enfraquece por falta de liderança. O protagonismo dos leigos supõe preparar bem os animadores das comunidades.” (Doc 100, 244 – 245).
“A missão é caminhada”, assim define o Pe. Mosconi. E realmente é na caminhada que podemos perceber “as graças e os riscos” do mandato do Cristo Jesus Ressuscitado, contextualizado em Jo 21, 1-19: “Pedro, tu me amas? E na terceira vez, Pedro responde com um acréscimo: “Senhor, tu sabes que eu te amo”. Daí, vem o mandato do Ressuscitado: “Apascentas as minhas ovelhas”! Para motivar e sermos motivados, não só no responder que amamos... mas nos empenharmos em dar resposta no cuidado das ovelhas, lançamos três perguntas chaves: 1- O que foi realizado e como foi realizado; 2- O que não foi realizado e porque não foi realizado; 3- O que devemos fazer e como fazer. E assim, observamos, constatamos como está andando a caminhada missionária da nossa diocese, especificamente no que diz respeito ao projeto das SMP. Quanto ao que temos constatado: realmente são muitos sinais de missionariedade. No entanto é preciso que avancemos no processo de uma verdadeira consciência missionária; no desinstalar-se de uma visão de conservação, para uma ação ousada de uma “Igreja em Saída”. “Para que a conversão pastoral da paróquia se realize é fundamental a preparação dos presbíteros, especialmente dos párocos para essa nova mentalidade de missão. Para isso seria muito proveitoso estimular a realização de um programa de renovação teológico-pastoral para o clero brasileiro, focando na conversão paroquial.” (Doc. 100, 304).
Poderemos detalhar melhor a nossa constatação com a avalição que iremos fazer depois de concluir a região em curso. Contudo, esta afirmação nos coloca num horizonte positivo: “Para apascentar ovelhas, para cuidar da vida espiritual de outras pessoas, é necessário paciência, humildade, consagração, comunhão diária e ininterrupta com Deus.” Sim, nossa presença tem sido muito mais no sentido de acalmar os ânimos: sejam eles, no tocante de que não vai dar certo; seja eles de ansiedade, pensando que nada está sendo realizado. Ajudando-nos a perceber que a missão é de Deus... que o Espírito Santo vai fazendo acontecer. Basta confiar e darmos o que podemos dar, com amor. Assim, já cantamos: “Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor”
Portanto, “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização” (Papa Francisco). Daqui de Araguacema, com um olhar sobre as águas do Araguaia, é muito animador os horizontes da missão... Sob o impulso do que temos marcado os passos “Nos caminhos da missão”, desde a implantação do cruzeiro, que aqui continua imponente e inspirador, que hoje, 07 de maio de 2016, faz 3 anos e 8 meses de caminhada: “Me disseram, porém, que eu viesse aqui; Pra pedir em romaria e prece; Paz nos desaventos. Como eu não sei rezar, só queria mostrar; Meu olhar, meu olhar, meu olhar. Sou caipira, Pirapora nossa Senhora de Aparecida; Ilumina a mina escura e funda O trem da minha vida”

E podemos cantar com a voz e alma: “Agora é tempo de ser Igreja, caminhar juntos, participar”. E verdadeiramente estamos saboreando a beleza de ser missionários do Reino, na confirmação de que “A vida é missão”. “Nossa vida é caminhada permanente, feita de passado e presente; lança-nos para frente. A perfeição está no caminhar; assim também na pastoral. Nunca estacionar. Saber agradecer pelo passado; saber tirar lições de vida. Estar atentos aos desafios do presente, para abrir caminhos, com sabedoria e coragem profética.” (CNBB, Projeto Nacional de Evangelização, pg. 59, 2004).

E assim, vamos que vamos nesta caminhada missionária... Sem nunca perdermos de vista, seja na clarividência ou nas penumbras mais escuras a luz da Estrela da evangelização a guiar-nos: Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Aparecida e Santa Teresinha, nossa padroeira; bem como a intercessão do Senhor do Bonfim! Rogai por nós!


Araguacema, 07 de maio de 2016


Pe. Raimundo Araújo Silva, C.Ss.R.
P/ Equipe Volante